Sexta feira á noite
Pensamento do dia
Sexta feira á noite, chuvosa, fria e um clima muito certinho para uma noite de pré fim de semana, os carros percorriam os seus caminhos á procura de um destino ainda distante, devido ao temporal, arrancavam e travavam em distâncias pequenas e mansinhas… ela, com as suas tralhas todas arrumadas para soltar-se da solidão da sua casa, que se tornava soturna por ser habitada só por ela, nunca havendo desfasamento do que no outro dia se concretizasse o que ela delineara para a sua própria vida, na companhia do seu companheiro… de momento andava a passadas largas para chegar a um destino que nem ela sabia qual era… um carro ao longe fazia sinais para lhe abrirem caminho, decido a talvez uma urgência inesperada… em pouco tempo da sua caminhada um carro parou, ela entrou sem saber o motivo para tal acto, já que o vulto que transportava o carro era desconhecido… o cheiro que ela captou dele foi de um odor a tabaco entranhado no cabedal do seu casaco, dos odores que surgiam dele, iniciou-se uma conversa que não podia esperar, já que ele fosse uma boa pessoa e numa altura daquelas era preciso agradecer o conforto que não era mais a estrada nocturna, fugidia onde só ela tinha caminhado… ela disse-lhe, amanha vou viver com o meu noivo, ele tem as chaves da casa que deixo para trás na minha vida e vou habitar uma maior e com outra esperança de nunca mais estar sozinha, ele calado, ouvia sem grande interesse ao que ela dizia, e perguntou-lhe onde ela queria ser deixada, ela que caminhava o ultimo dia com o estatuto de mulher a viver só não pragmática, também não lhe apetecia sair dali e para além disso já acomodada àquele ambiente sentia-se bem… era uma noite de decisões para ela, ela sem preocupações respondeu, é mais á frente o sitio para onde vou, toda aquela conjuntura agradava-lhe, o facto de ainda estar livre e ter as suas coisas mesmo que fosse numa posição de despreza da vida e ocupar-se das suas maneiras, sortes e ao seu estatuto de pessoa que ainda não era protegida, mas sim livre…
Por momentos surgiu-lhe um pensamento, o de ter de partilhar as suas opiniões com o seu homem… e se houvesses discussões grandes, se um deles mudasse a sua intenção e ficasse coagido de esperança mas obsessiva por ela?
Ela tinha opinião, e aquele percurso que fez com aquele homem desconhecido despertou-lhe a mente para pensar se era realmente aquilo que ela cria para a sua vida, se ele era o mordomo da sua vida ou se deveria massificar e cobrir uma barreira envolta nela… (…)
18/07/07

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