domingo, 31 de agosto de 2008

Recados

Sei que te perdi
Mas isso não têm que ser
Desonrra para os dois

O amor que temos um pelo outro
Sobrevive mais que uma bactéria
Em meio inóspito

Olha, se te pudesse dizer
Diria tudo como antes
Mas não é por isso
Que te deixo o pensamento
De que és uma pessoa fora do vulgar
Preocupo me contigo

E as feridas que tens
Não tas posso curar
Pois é assim que eu foco a vida

Com uma dor amargaé incauta, vinda do centro da Terra
E da distância que temos da lua

Beijinhos
Sabes que és tu

sábado, 23 de agosto de 2008

Feridas felinas

Refugio-me num pedaço de canto
Aqui estou eu silencioso
Atormentado pelo que há de vir
Quando chegar, tenho que partir
E não ter frio
E rir-me loucamente
Porque aconteceu e não ter que lutar mais
Por um dia digno de loucuras
Neste refugio atormentado

O universo cai-me aos pés
E de novo o volto a por no seu lugar
Impiedoso ele brilha
Relâmpago e satifaz-me
Agora que aqui estou
A ele não o posso faltar
Porque somos unos eternamente
E no eterno somos loucamente
Apaixonados

Sinto estalidos no meu corpo
Obtuso e atarefado com a pergunta
Que virá?
É agora… tanto tempo á espera
E só agora me alumias nesta devassidão
Enraizada nesta Terra

Perguntas-me porquê?
Mais não te sei explicar
Mas um dia hás-de saber
Que alguma coisa
Ela é

Linguarejo a toda a gente
A felicidade da vida
Do resto não sei
Apenas sei que alguma vez o saberei

Nesta redoma enfiado
A sentir algo lá ao longe
Definho-me
Arranho-me e em nada mais penso
Só em ti

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Horas rubras

O vento para lá corre
A corte de um furacão
Entra, vê e passa
Sem nunca se interessar
Do próximo a arrancar

A felicidade desta vida
Não está nos que vêem
Não está nos que ouvem
Nem nos que sentem
Mas naqueles em cada
Entrosamento invocam
O temperar
Do clima azedo
E do frio a enregelar

A cidade já fascina
Ao erguer mais um
Encontrar o gelo frio
E o contentamento
Das horas a avançar
Para progresso
De mais um dia

Horas mortas

Neste silêncio soturno
O tempo é como se tivesse parado
A noite corre vagarosa
E eu brindo com mais um copo

No teu olhar
Vejo-nos caminhar
Pra a melancolia do bem estar
Pois tudo é revoltante
E a revolta é praticante

No teu cabelo
Vejo a frescura
Albardina tu és
E a tua bravura me perfaz

O trilho é sinuoso
Arrasto os meus pés na areia
Ouço o barulho das ondas
E os focos lá ao longe
Dos barcos

Há um que navega á deriva
Pois não encontrou o desejo
Do marinheiro se encontrar

Antigamente se dizia
O fugaz vai aparecer
E assim continua
Nesta marcha sem parar

Ouço lá ao longe os meus amigos
E eles, dizem
Volta, volta, volta
Se a agarrar
Terei de novo que trinar
Na minha guitarra lampejo
Sub mundo de cordões e carícias
Trabalho e formosura
A lua nada me diz e eu continuo a sorrir

Os arranjos não me convencem
De novo vejo-os e revejo-os
A trovejar de condições
Se o dia não acabar
A noite não consegue voltar


De novo o renovo vem a caminho
Para as trevas não me abarcarem
Neste caminho sinuoso
Onde anda este povo

A guarida me apaixona
E mais não se relaciona
Traz a paz entristecida
De um cometa a passar

Não vacilo e não me incomodo
De valia não tem nada
Mas sim um anjo da guarda
Que alumia todos os dias
A minha vida

De rompante passo a porta
Em silencio enternecedor
De uma vigia conseguida
Desta noite iluminada