sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Horas mortas

Neste silêncio soturno
O tempo é como se tivesse parado
A noite corre vagarosa
E eu brindo com mais um copo

No teu olhar
Vejo-nos caminhar
Pra a melancolia do bem estar
Pois tudo é revoltante
E a revolta é praticante

No teu cabelo
Vejo a frescura
Albardina tu és
E a tua bravura me perfaz

O trilho é sinuoso
Arrasto os meus pés na areia
Ouço o barulho das ondas
E os focos lá ao longe
Dos barcos

Há um que navega á deriva
Pois não encontrou o desejo
Do marinheiro se encontrar

Antigamente se dizia
O fugaz vai aparecer
E assim continua
Nesta marcha sem parar

Ouço lá ao longe os meus amigos
E eles, dizem
Volta, volta, volta
Se a agarrar
Terei de novo que trinar
Na minha guitarra lampejo
Sub mundo de cordões e carícias
Trabalho e formosura
A lua nada me diz e eu continuo a sorrir

Os arranjos não me convencem
De novo vejo-os e revejo-os
A trovejar de condições
Se o dia não acabar
A noite não consegue voltar


De novo o renovo vem a caminho
Para as trevas não me abarcarem
Neste caminho sinuoso
Onde anda este povo

A guarida me apaixona
E mais não se relaciona
Traz a paz entristecida
De um cometa a passar

Não vacilo e não me incomodo
De valia não tem nada
Mas sim um anjo da guarda
Que alumia todos os dias
A minha vida

De rompante passo a porta
Em silencio enternecedor
De uma vigia conseguida
Desta noite iluminada

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