pensamento complementar 38
Pensamento complementar 38
Na sua singela redoma nocturna, uma oportunidade surge… era a moçoila que ele sempre exasperou num tempo onde nada levava a suspeitar que lhe iria aparecer assim vinda de longe a sua mais que tudo, não se conheciam, mas ao primeiro choque de olhar, ambos emergiram dum naufrágio que já não era o deles, as suas mãos tocaram-se e ambos sentiram o arrepiar do momento… ela era a criatura que ele sempre esperou que aparecesse… não que a procurasse, pois até aí ele esperou com paciência e com nenhuma acção… era como se um anjo descesse do céu para imbricar uma paixão que de alguma forma fosse tentação de alguém… ela revolvia-lhe o pensamento, o seu coração parecia uma boquilha da torneira dos bombeiros, a lançar água com grande força, ela ficou imóvel ao vê-lo e ambos souberam que se tinham encontrado para o resto das suas vidas sem reservas… ele de um busto forte e musculado, com cabelos grisalhos escuros de quem já não se penteia á algum tempo, ela com aquele olhar adocicado e revelador de que o queria beijar… sem demora aproximaram-se os dois e sem falarem encostaram os lábios um no outro, ambos sentiram um perfume intenso da vegetação que ali habitava, agora já se beijavam com grande á vontade… aquele momento fê-lo pensar em tempos de outrora, mas sem ligação nenhuma com o passado, ela abraçou o momento e não o largava por nada… sentia aquele conforto extremo de duas pessoas se apertarem, sentiram uma cúmplice alegria de se terem encontrado e não queriam perder por nada aquele momento intenso…passaram a noite na companhia um do outro e apesar de pensarem que se tinham encontrado para a vida, não podiam continuar juntos… muitas vicissitudes os puxavam agora a afastarem-se e a retomarem cada um as suas vidas singulares… ambos sabiam que era melhor assim… guardar o momento intenso que tinham tido e não o estragarem com novos encontros, assim dissipavam o erro de se voltarem a encontrar e guardavam aquele perfume que odorizava no primeiro sitio onde se tinham cruzado… aquele momento ficou para eles inesquecível e por isso ao longo das suas vidas sabiam que nunca mais passariam por ali, pois queriam lembrar-se apenas do primeiro momento de afinidade entre eles e lutavam por nunca o esquecerem… a magia tinha acontecido neles, mas cada um teve que gerar a sua conduta vivencial e nunca mais se encontraram nem tiveram contacto um do outro… era melhor assim, sofriam um pelo outro á distância, quando um deles pensava no outro, esse também pensava nos momentos d,oiro… a vida prosseguiu e eles prendiam-se ambos ao pensamento que tanto na vida de um como do outro tinham sido unos os dois, que o outro já tinha feito parte da vida dele(a)…

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