sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Soltas

Heterónimos de Xixo
-Óh Alex??!!! E se bebesses um tónico e descansasses um bocado a mente?
-Não Dá!!!… hoje tou embrenhado num sono difícil de sair, eternamente e permanentemente dentro dele, o momento dentro de um tempo, e um local dentro de um espaço… Quando chega á noitinha, muita gente diz-me que reflecte acerca do que se passou durante o dia. Eu não!!! Pois chega a noite e com ela vem a lua, aquele misticismo que nos torna ideais ao sabor daquele manto obscuro que cobre os cabeços da planície e os enche de esperança, para que no outro dia haja lugar para a admissão de mais um dia rotineiro…
-Alex, tu não amas a vida (conta o amigo de Alex de nome desconhecido)? E tudo o que ela nos dá, a luz do dia, o amanhecer, o percorrer de uma sombra em redor de uma estaca, os girassóis e todas as flores que se debruçam na luz? Da fortaleza que o sol transmite, ao dar-te o calor necessário para te aqueceres sem estares coberto de roupa? Desgostas tudo isso?
-Não, amigo, é por amar demais todas essas virtudes da natureza e o mais simples dos mortais, é a sede insaciável, o fogo que resplandece a luz que sufoca a visão que me dá o prazer de acolher a noite como se de uma cinderela se tratasse no meio de tantas princesas… invoco as musas da noite, o juízo dos poetas, a coerência dos astrofísicos e a beleza do escuro… Será por amar assim tanto o que os outros não amam que estarei mais diminuído da sanidade social e individual, meu eterno amigo… É olhar desta forma para a vida que me apraz, me faz viver e ao mesmo tempo me sufoca… pensamento intimista meu amigo que eu tenho contigo, mas até esse simples facto me devora a mente, nunca me a desgasta, ainda me dá viabilidade, vivacidade e revitaliza todo o meu estranho ser… A fadista Amália já o dizia: “ Que estranha forma de vida”, esta que me leva a cantar o fado para ti meu amigo…
-Alex, tu consegues dinamizar sem nunca perder a meada a uma conversa, ser um bom diplomata, agregares pensamentos com pensamentos, associações que não te levam a lugar algum… Como pode viver uma pessoa assim, do nada? Só consigo? Desleixas me completamente e elevas-me para um estado de ansiedade de te querer ajudar sem que o consiga…
-Duvidas do meu estado de sanidade ou completas te com ele? Derivar continua a fazer parte dos dias de cada pensador que produz a sua ideia que não é mais que sonhadora, intermitente e que não me traz garantia quanto ao virar da próxima carta… um dado que é lançado, a mitologia de se acreditar em algo que não é mais que uma hipótese de certeza ou incerteza, mas se não se puser a hipótese nunca se chega á vizinhança da resposta… amigo, dá-me garantias seguras para que acredite na minha falta de sanidade e me revele como um autónomo criativo que se criva a cada momento como Aristóteles ao dizer que o céu era azul e não cinzento, que as águas das chuvas dão origem a uma organização planetar nunca antes pensada e não que dá desconforto ás pessoas por dela terem contacto?

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