Caminho percorrido, dia vencido
Percorrendo o trilho do dia, tento aproveitar o tempo, conservá-lo para chegar ao destino antes do sol se esconder, chegar e sentir o conforto do quente da cabana que me acolhe, me dá guarida para descansar os ossos da caminhada tortuosa de chãos de socalcos e pedra dura, de areia que me afunda os pés, guio-me pelas estrelas do norte e pelo vento frio, ao chegar preparo em sintonia o arremesso de uns galhos para a lareira, pego na pena e no tinteiro e escrevo sobre o percurso que me fez encontrar de novo a casa que me acolheu durante as noites anteriores, deito me no chão de palhas quentes e amortecidas pelo corpo de outras noites ali deitado e reconheço que a vida é limite de se poder não encontrar aquele espaço térreo… a manhã chega depressa, levanto-me, visto as calças e uma blusa rota que encontro, o frio gélido faz-se notar lá fora, a neve cobre todo o chão, der repente uns flocos começam a cair, visto o oleado e parto para mais uma obrigação, a obrigação de arranjar o produto que me faz caminhar mais uma vez, para poder permanecer e voltar antes do anoitecer, mais uma vez tentando encontrar o caminho daquele abrigo que pode ser étereo e não se encontrar… é assim o dia a dia, uma luta frenética entre o estar e não estar, entre o encontrar e não, chegar e o coração acalentar, uma luta desenfreada em tentar pelos poucos recursos achar um caminho lógico e de orientação sem ter mapa, nem bussula, apenas o caminhar á deriva, apoiando-me na sorte e no poder empírico dos astros

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